Domingo, 25 de Março de 2007 (Culto Matutino)
Vida na Estreita Via do DevagarÉ preciso desacelerar! Parar com essa correria por aquilo que nem se sabe direito o que é. É preciso parar de fingir que temos paciência, como cantou Lenine. Precisamos reconhecer que vivemos na correria, perdendo o contato com as simples coisas e as coisas simples. Outro dia, estava sentado numa padaria comendo meu pão de queijo, quando um pai com uma criança de colo sentou-se ao meu lado. A criança então fixou seus olhos esbugalhados em mim e permaneceu assim por bons minutos. Seus olhos atentos captavam tudo, pois tudo era novo. Era como se para ela o mundo se descortinasse e todas as pequenas coisas do cotidiano se tornassem profundamente significativas. Ah, isso é alegria! Isso é tributar a vida e o criador da vida, porque para desacelerar é necessário reconhecer a presença de Deus em tudo e em todos. É a espiritualidade do cotidiano.
Essa criança lembrou-me que a vida não se trata de correrias por metas adiante, mas o prazer de viver está no presente, a cada momento. Disse Jesus, “vim para que tenham vida, e vida em abundância”. A plenitude da vida não está no futuro, mas aqui e agora. Por que corremos freneticamente? Porque aceitamos convites e projetos em detrimento dos amigos e das famílias? Porque perdemos a sensação de descoberta nos acontecimentos do cotidiano? O sábio escritor das Escrituras, autor do livro de Eclesiastes, foi um desses homens que experimentaram todos os caminhos. Foi um desses que se embrenharam nas densas matas das experiências e alternativas que a cultura oferece. E, ao final, tirou suas conclusões. Concluiu que o prazer de viver está nas simples simplicidade. Sua alma finalmente descansou de uma correria que era, conforme ele mesmo disse, uma corrida atrás do vento.
No texto que veremos, o sábio questiona quatro fontes da correria: o prazer, o empreender, o ter e o saber. Essas são as fontes da vida de corria, no estilo fast food de ser: rápido e eficiente, mas sem graça. E depois de muito refletir ele mesmo diz “na verdade, tudo isso fiz por mim mesmo, porque tudo foi vaidade!”.
O fim trágico daquele que vive para si é o enfado. O triste mesmo é descobrir isso no fim da vida. A vida para esses perde ou perderá seu valor e sua cor, não é mais uma aventura, é um verdadeiro enfado. Parar nem pensar! Porque parando, percebe-se o piloto automático que dirige a vida. Amigos, que possamos nos unir ao Sábio que reconheceu seu pecado, e voltou seus olhos para Deus. Em Eclesiastes, Deus não se mostra no estrondoso e no espetacular, mas se revela nas pequenas coisas da vida, relembrando os passeios que tinha com Adão no jardim nos finais de tarde. Deus nos convida a uma espiritualidade do cotidiano, a uma vida simples. Jesus é o Verbo que se fez carne e habitou entre nós, no cotidiano. Jesus é a fonte mais profunda e verdadeira de todo prazer, empreender, ter e saber.
Veja também:
- Mensagem de 18 de Março de 2007.
- Mensagem de 01 de Abril de 2007.
- Outras Mensagens de Março de 2007.
- Outras Mensagens de Daniel Fujisaka.