Domingo, 26 de Agosto de 2007 (Culto Matutino)
A Transformação que vem de DeusExiste uma demanda em todo ser humano por mudanças e transformações. A imobilidade é geralmente sinônima de não vitalidade. E assim é na fé cristã, pois a transformação, obviamente para melhor, faz parte da herança da teologia cristã evangélica. Assim, não é por acaso que Paulo nos orienta a crescermos. Mas não se trata simplesmente de um desenvolvimento social, físico ou psicológico. A transformação requerida é espiritual na medida em que somos chamados a sermos transformados à própria imagem de Deus, que é Espírito. O fato da transformação ser espiritual não significa que não haja impacto em toda amplitude humana, pois o homem espiritual é sempre um homem posto no tempo e no espaço, condicionado e condicionante de relações pessoais e materiais.
O texto em que nos debruçamos hoje nos fala do cristão liberto que vive uma transformação profunda e existencial à imagem do Senhor, Jesus Cristo. É uma transformação que começa quando o coração se abre ao Evangelho, à mensagem escandalosa do Deus que se sacrifica pela sua criatura amada e alienada Dele por sua própria escolha egocêntrica. O coração, entretanto, pode permanecer obscurecido a Deus por três empecilhos ou na figura de Paulo, por três véus: a descrença, o engano religioso e a apatia. Talvez, para a nossa realidade, os dois últimos são os grandes tentadores. O engano, ou seja, concepções equivocadas a respeito do que é o Evangelho, leva à religiosidade rígida e moralista. Muitos cristãos religiosos, aliás, esse termo a rigor não existe, não entendendo a graça, vivem numa relação meritocrática e retributiva com Deus, vivendo uma religiosidade da troca e do interesse. A apatia, por sua vez, cria esse marasmo da fé, onde as verdades do Evangelho não produzem senso de missão e propósito, de modo que o cristão apático vive "empurrando" Cristo com a barriga e é inoperante na militância do Reino. O indivíduo continua prisioneiro de si, de suas vontades, e no nosso contexto de sociedade de consumo, vivendo a prisão da vontade egocêntrica de consumo. Assim, o apático trabalha para si, gasta seu dinheiro para si, enfim, o apático é ensimesmado.
Mas o cristão cujo coração se abriu a Cristo lê as Escrituras apaixonado e impactado pela mensagem impressionantemente surpreendente do Deus que se entregou na cruz em amor a nós. A contemplação de Cristo é como o espelho que contempla e reflete. Quem contempla o verdadeiro Cristo não poderá permanecer na incredulidade, no engano ou na apatia. Não, a contemplação de Cristo produzirá sentido para a vida, missão que nos comanda a amar o próximo como a nós mesmos. Assim, será Cristo refletido nas palavras e nas ações de cada um de nós.
Veja também:
- Mensagem de 19 de Agosto de 2007.
- Outras Mensagens de Agosto de 2007.
- Mensagem de 02 de Setembro de 2007.
- Outras Mensagens de Daniel Fujisaka.