Mensagens/Outubro de 2008

Domingo, 26 de Outubro de 2008 (Culto Matutino)

Missão Integral na Sociedade de Consumo

Daniel Fujisaka

Lucas 12.15-21

Na oração que Jesus nos ensinou uma frase inicial é essencial, e por vezes é esquecida por aqueles que a professam. A oração começa assim: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja teu nome. Venha a nós o teu Reino, e seja feita a tua vontade assim na terra como nos céus”. Infelizmente, muitos têm se esquecido da realidade do Reino Deus na terra, em outras palavras, que o Reino de Deus é uma realidade para o nosso mundo, nossa realidade concreta, nossos problemas reais e inseridos no âmbito do tempo e do espaço. Houve um desvio teológico na história da igreja, que privilegiou uma visão de Reino concernente as coisas abstratas, muitas vezes chamadas como questões da alma. Pensou-se que o Evangelho tinha que prioritariamente servir à alma e ou ao espírito. Por esta razão, um desvio de propósito se instalou em muitas igrejas ditas cristãs, pois estas pensaram que seu papel principal no mundo fosse salvar as almas dos perdidos, e tornaram-se alienadas dos problemas reais e concretos, peculiares a cada história e localidade.

Líderes cristãos de todo o mundo, percebendo tal desvio, reuniram-se em Lausanne em 1974. Sua declaração ficou marcadamente conhecida na história da igreja cristã contemporânea como o Pacto de Lausanne. Neste importante encontro, cunhou-se o termo Missão Integral, termo reativo à visão fragmentada do homem e do Evangelho, conforme foi dito. O emblema que se tornaria amplamente conhecido, e que hoje, integra o documento de visão da denominação Holiness é “O Evangelho todo, ao homem todo, para todo o homem”. De maneira sintética pode-se dizer que tal declaração, com forte embasamento bíblico e amplamente reconhecido entre os atuais líderes cristãos, enseja uma identidade essencialmente contra cultural. Declara contra, em primeiro lugar, uma visão de homem fragmentada em corpo, alma e espírito; e em segundo lugar, contra o reducionismo do Evangelho que já não influencia ou transforma as realidades ecológicas, políticas, físicas, sociais, econômicas, artísticas, e assim em diante.

Muito tem se falado em termos de missão integral da igreja, e infelizmente, pouco se tem feito. Na verdade, a sociedade de consumo, ou seja, o sistema que empurra o indivíduo a uma busca centrada por conforto pessoal e vida bem sucedida a partir do poder de compra, é um reino incompatível com o Reino de Deus que Jesus Cristo nos propõe e desafia. No Reino de Deus, o convite é para vender os bens e darmos esmolas (vers 33), em outras palavras, sermos ativos na proclamação e ação na direção da redenção do homem em todos os sentidos. Do outro lado, o convite da Sociedade de Consumo é para acumular, ou na linguagem do evangelista Lucas, construir celeiros maiores para acumular e viver uma vida sossegada e boa! (vers 18) Interessante, já vi esse filme em algum comercial por aí. Sim, o Reino de Deus é radicalmente contra a cultura do consumo e a lógica de mercado. É radical! Mas não é exatamente o que o Senhor Jesus insiste tanto: “quem busca ganhar a sua própria vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por minha causa, ganhá-la-á”.

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